Recomecei as pinturas no templo agora inicio de junho. A Vida do Buda é dividida em 12 cenas, nao estou fazendo na sequência e sim da forma que surge a inspiração. Senti que queria fazer a cena da "Tentaçao de Buda", quando Mara o tenta, tanto com sedução quanto com medos.
Gostei muito de criar esse quadro nesse momento. Dando forma aos meus próprios demónios (e adoro dar forma a caras tao caricaturais!). Essa cena é sobre a ultimas tentações de Buda, quando Mara, o Senhor da Ilusoes se manifesta com todo poder (e Mara nada mais é do que a manifestação de suas próprias projecoes!). Demonios que vêem em forma de horríveis caricaturas, ou em beleza disfarçada, com sorriso, entorpecendo os sentidos com som, com cheiro, gosto e o olhar… aquele olhar belo direccionado à ele, fazendo o sentir-se belo e amado e assim fazendo-o esquecer de si mesmo. Mas chegam também o exercito de demónios com suas caras contorcidas, desproporcionais, amargas, bravas e agressivas, querendo feri-lo e amedronta-lo. Todos ai. Mas no centro, no eixo e no cerne da cena, esta o Buda, que diante tudo isso, esta imóvel e aquilo que o toca se torna em pétalas de lotus, se torna em pratica pura.
Meditando e contemplando essa cena, que é a que eu particularmente mais gosto de todas as 12 cenas que contam a vida dele, percebi algo interessante, um certo insght, pois veio com muita força. O que experenciamos através de situações que surgem em nossa vida ou pessoas que cruzam nosso caminho, são na verdade energias. Energias personificadas. Elas vem e elas vão, porem essa energia se manifesta apenas DENTRO de nós mesmos e nenhum outro lugar. E é com aquela energia dentro de nós que temos que lidar… as vezes, por uma ilusão de óptica quase, acreditamos que temos que lidar com o objecto externo. Observe mesmo como uma pessoa apresenta-se diferente para de frente um filho, à mae, ao amado, a um estranho ou ao seu chefe… nos apresentamos diferente diante cada um deles, a energia que nos brota diante cada figura é diferente e dentro de cada figura ao nos ver, também brota dentro DELA uma energia, mas é dentro dela, como ela te ve, inteiramente uma visão própria. Ai que me lembro o que o Lama Samten usa quando diz "natureza de sonho" - o sonho é nosso. Nossa mente, nossos armas, nosso mundo onde colocamos e tiramos peças de acordo às energias que brotam e se transformam. A ilusão é associar a pessoa com aquela energia e achar que depende daquela pessoa para sustentar a energia. Estreitamos ainda mais nossas condições de bem estar. Se eu separar a energia do objecto, nao crio apego ou aversão - eu desvinculo aquilo que brota do objecto que vejo que provoca isso dentro de mim. Optando por essa visão, vemos que todas as pessoas sao iguais - e o que diferencia é a energia que adoto de frente dela, que vinculo àquela figura. Tendo essa visão conseguimos ter maior controle do que brota em nós. Pois o objecto é vazio no sentido que ele só tem sentido no momento que eu der simbologia à ele - esse é o poder da mente. O poder de Mara.
o cantinho de trabalho 1 Comment
sketches
criando... desenhando
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Pés quenteeeeees... como na Mongolia, rsrsrs
eu...
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criando... desenhando e pintando
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meu melhor amigos nos dias frios...
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