
Entrego pedaços meus em suas mãos. Olho para aquelas mãos e apaixono-me pelo pedaço que não me pertence mais. Apaixono-me porque não faz mais parte de mim. Então desejo de que fossem parte de mim. Sei o quanto dependemos das condições – aquela fome de mim mesma. Ele dentro de mim completa a falta. Mas nele mesmo ha tanto vazio dentro de si que seu corpo no meu não bastava. Percebi pelo seu elo com a dúvida, de que nada nos completaria, esse vazio é infinito – achei que devesse deixar de ser e ai não haveria nada a ser completado. Achei outro como outros e multipliquei os garotos... me tornando maior, expandindo, me completando em partes, mas nunca inteira – procurando da forma banal.
Me perco nos eus, me perco nos deles. Me perco na pergunta perdida, já não pergunto mais. Ja nao sei mais quem sou, por quem sou, onde estou. Dentro ou fora, a luz é a mesma. Na frente ou atrás da tela, o rosto é o mesmo, porem apenas ao inverso. Somos feitos das mesmas coisas, mas falamos ao contrario. Desentendemos as partes a serem encaixadas, encaixamo-las em tempos e espaços diferentes, nunca chegando a completar-nos. No momento de encontro, agarramos o vazio, a ânsia pelo desconhecido e damos nomes àquilo que nao tem nome, erramos distraídos, mal entendidos. Nao nos olhamos, ali estendidos. A parte; minha parte que esta com ele, nao me pertence, me refaço. Nao ha como correr aos braços da parte-vitima e se confessar. Eu me confesso, amei um conceito, amo até agora – uma ideia. Nao quero larga-la. E estranhamente, esquisito como somos, nao queremos entregar as partes que temos um do outro à uma realidade. Porque a realidade é banal. O sonho é muito mais lindo! Quando amamos essas partes, nao queremos que se rebaixe ao ordinário… esse amor é dos sonhos. E a partes prevalecem perdidas em fragmentos perdidos numa brisa sem direção… assim ficamos. E os que vem, engolem as partes e dentro de mim procuram à si mesmos. Vivendo percebo como procuramos à nós mesmos nos pontos escuros, sendo que o olhar pra sí é uma pratica tão subestimada, pois é tão obvia, tao próxima… porém a mais completa.
Acho a parte perdida, sendo ela vazia de partes… não pertence à ninguém, não é nada, nao se perde e nao se transmuta. Nela prevaleço. Esse silencio imóvel da alma… mesmo num corpo em chamas, tocada e amada por quem for… sao só partes perdidas perambulando em espaços de outros vazios… se completando... enfim.
Tiffani - em arte... de escrever, pintar e dançar - meu espirito se manifesta assim...