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Blog EntryFeb 26, '12 12:02 PM
for everyone

Entrego pedaços meus em suas mãos. Olho para aquelas mãos e apaixono-me pelo pedaço que não me pertence mais. Apaixono-me porque não faz mais parte de mim. Então desejo de que fossem parte de mim. Sei o quanto dependemos das condições – aquela fome de mim mesma. Ele dentro de mim completa a falta. Mas nele mesmo ha tanto vazio dentro de si que seu corpo no meu não bastava. Percebi pelo seu elo com a dúvida, de que nada nos completaria, esse vazio é infinito – achei que devesse deixar de ser e ai não haveria nada a ser completado. Achei outro como outros e multipliquei os garotos... me tornando maior, expandindo, me completando em partes, mas nunca inteira – procurando da forma banal. 

Me perco nos eus, me perco nos deles. Me perco na pergunta perdida, já não pergunto mais. Ja nao sei mais quem sou, por quem sou, onde estou. Dentro ou fora, a luz é a mesma. Na frente ou atrás da tela, o rosto é o mesmo, porem apenas ao inverso. Somos feitos das mesmas coisas, mas falamos ao contrario. Desentendemos as partes a serem encaixadas, encaixamo-las em tempos e espaços diferentes, nunca chegando a completar-nos. No momento de encontro, agarramos o vazio, a ânsia pelo desconhecido e damos nomes àquilo que nao tem nome, erramos distraídos, mal entendidos. Nao nos olhamos, ali estendidos. A parte; minha parte que esta com ele, nao me pertence, me refaço. Nao ha como correr aos braços da parte-vitima e se confessar. Eu me confesso, amei um conceito, amo até agora – uma ideia. Nao quero larga-la. E estranhamente, esquisito como somos, nao queremos entregar as partes que temos um do outro à uma realidade. Porque a realidade é banal. O sonho é muito mais lindo! Quando amamos essas partes, nao queremos que se rebaixe ao ordinário… esse amor é dos sonhos. E a partes prevalecem perdidas em fragmentos perdidos numa brisa sem direção… assim ficamos. E os que vem, engolem as partes e dentro de mim procuram à si mesmos. Vivendo percebo como procuramos à nós mesmos nos pontos escuros, sendo que o olhar pra sí é uma pratica tão subestimada, pois é tão obvia, tao próxima… porém a mais completa. 

Acho a parte perdida, sendo ela vazia de partes… não pertence à ninguém, não é nada, nao se perde e nao se transmuta. Nela prevaleço. Esse silencio imóvel da alma… mesmo num corpo em chamas, tocada e amada por quem for… sao só partes perdidas perambulando em espaços de outros vazios… se completando... enfim.


Tiffani - em arte... de escrever, pintar e dançar - meu espirito se manifesta assim... 


tolentinosa wrote on Feb 27
Nossas vidas parecem um vazio, porque estamos sempre procurando algo fora de nós para nos completarmos, Na realidade, esse "algo" realmente existe, mas isso não está no presente agora porque é impossível de se manifestar ao mesmo tempo. Esse "algo" está em algum lugar e vive também a nos buscar incessantemente. E pode estar tanto num corpo de homem ou mesmo de mulher e ao mesmo tempo nunca se separará de nós. Esse algo é a nossa contraparte, cujas partes se juntarão somente quando estiveremos ambas em igualdade de condições de harmonia, de amadurecimento e de satisfação pelo amor ao próximo, além da atual condição de vida humana, além do egoismo, além do egocentrismo. Até lá, nossos pedaços estarão por aí, nos seres diversos que são também parte de nós e que talvez não tenhamos ainda sentido a capacidade de amar como se fossem partes reais de nós mesmos. Talvez por isso exista uma frase que ainda não tenha sido completada ou totalmente compreendida - "amai ao próximo como se fossem parte de nós mesmos"!!! Talvez aí esteja o segredo da juventude e da felicidade tão procurada e quase nunca completada: somos todos um!!! Assim, quando estivermos nos doando através da sabedoria de saber viver mais em função do próximo do que a nós mesmos, talvez aí esteja a razão da busca incompreendida e buscada tão desesperadamente. E essa busca levará tanto tempo quanto necessário até que encontremos a real função do homem e da mulher qué é a de se completar em si mesmo aprendendo a se doar de maneira intensa e forte na atitude de saber servir. A alma gêmea é apenas uma metade incompleta que se completará no tempo e no espaço adequado quando ambas atingirem os postulados da sabedoria universal no amor incondicional ao próximo, porque seu destino quando se juntarem ambas as partes, até então separadas, será a de servir noutros mundos mais complexos onde a arte de servir será infinitamente mais completa e portanto também mais complexa na arte de saber viver. Portanto e completando, se ainda damos nossos pedaços e sentimos ao mesmo tempo a falta deles, é porque ainda também não sabemos ama-los tão intensamente tanto quanto ainda não aprendemos a compreender tão verdadeiramente a arte de saber amar tão intensa e verdadeiramente!!!
paulapriya wrote on Feb 27
Re-li uma frase que gosto muito e lembrei-me do teu texto.
Copio um trecho do teu texto: "Porque a realidade é banal. O sonho é muito mais lindo!"
Compartilho a frase: ""A lucidez é um padrão que não serve aos sonhadores." M. M. Soriano
A que estar disposto a colocar a cabeça na boca do tigre... :)
Beijos
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